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terça-feira, 1 de março de 2011

ESPIRITUALIDADE MARIAL VICENTINA

Desde o princípio de sua existência a Igreja como Povo de Deus tem vivido com Maria sua experiência do Transcendente. Quando da vinda do Espírito Santo no Cenáculo, lá está Maria junto com os discípulos recebendo a força de Deus para ser testemunha viva de tudo que viram e ouviram de Jesus de Nazaré seu filho e Filho de Deus. Por isso, nos diz e Encíclica Mariales Cultus de Paulo VI no. 21 “desde cedo os fiéis começaram a olhar para Maria, a fim de, como ela, fazerem da própria vida um culto a Deus, e do seu culto um compromisso vital. Já no século IV Santo Ambrósio, ao falar aos féis, lhes auspiciava que em cada um deles houvesse a alma de Maria, para glorificarem a Deus: "Que em cada um de vós haja a alma de Maria para bendizer o Senhor; e em cada um de vós esteja o seu espírito, para exultar em Deus!".

A Igreja procura traduzir as multíplices relações que a unem a Maria, em outras tantas atitudes e manifestações culturais, em uma veneração profunda, refletindo de forma única a dignidade da Virgem Santíssima, que, por obra do Espírito Santo, se tornou Mãe do Verbo Encarnado; em amor, que se manifesta na maternidade espiritual de Maria para com todos nós membros do Corpo Místico de Cristo; naquela em quem se pode confiar, quando experimentamos a necessidade de intercessão da advogada e auxiliadora; em serviço amoroso, quando percebemos sua gratuidade em colaborar na obra de salvação tornando-se a mãe do salvador, sendo modelo de imitação, pois nela contemplamos a santidade e as virtudes queridas pelo Pai.

Seguramente Maria é para nós cristãos deste novo milênio modelo de vivencia da fé e em quem podemos buscar inspiração para a vivência de nosso projeto de vida cristã, pois nas condições concretas da sua vida, ela aderiu total e responsavelmente à vontade de Deus (cf. Lc 1,38). Soube acolher a sua palavra e pô-la em prática, sendo sua ação animada pela caridade e pelo espírito de serviço, tornando-se a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo, reconhecida como modelo excelentíssimo de Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo.

a) - Maria é a Virgem que sabe ouvir: acolhe a palavra do Pai com fé. Fé que foi caminho para a maternidade divina. Ela, cheia de fé disse: "Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38); fé, ainda, que foi motivo de segurança no cumprimento da promessa: "Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido" (Lc 1,45); fé com a qual ela, protagonista e testemunha dos acontecimentos da infância de Cristo, guarda-os no íntimo do seu coração (cf. Lc 2,19.51). É isto que também a Igreja faz. Na sagrada Liturgia, ela escuta com fé, acolhe, proclama e venera a Palavra de Deus, distribuindo-a aos fiéis como pão de vida, descobre os sinais dos tempos os interpreta e vive os acontecimentos da história.

b) - Maria é a mulher da oração. Assim Em sua visita à Isabel exulta no espírito glorificando ao Deus, da humildade, da fé e da esperança: tal é o "Magnificat" (cf. Lc 1,46-55), a oração de Maria, o cântico dos tempos messiânicos no qual confluem a exultação do antigo e do novo Israel. Este cântico da Virgem Santíssima, na verdade, prolongando-se, tornou-se oração da Igreja inteira, em todos os tempos. Neste mesmo caminho segue a experiência vivida em Caná, onde, ao manifestar ao Filho, uma necessidade temporal, obteve também um efeito de graça, que Jesus ao realizar o primeiro dos seus "sinais", confirma os discípulos na fé n'Ele (cf. Jo 2,1 12). Por fim, o ultimo texto sagrado que nos apresenta Maria descrevem-na orando com os Apóstolos: "perseveravam unânimes na oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele" (At 1,14). Presença orante de Maria na Igreja nascente, e na Igreja de todos os tempos, porque ela, assunta ao céu, não abdica de sua missão de intercessão e de salvação. Virgem dada à oração e também a Igreja, pois, todos os dias apresenta ao Pai as necessidade dos seus filhos, e "louva o Senhor sem cessar e intercede pela salvação de todo o mundo".

c) - Maria Virgem Mãe, isto é, aquela que "pela sua fé e obediência, gerou na terra o próprio Filho de Deus Pai, por obra e graça do Espírito Santo". Maternidade prodigiosa, constituída por Deus protótipo e modelo da fecundidade da Virgem-Igreja, a qual por sua vez, se torna também mãe, pois com o anúncio e o batismo gera para vida nova e imortal os filhos concebidos por ação do Espírito Santo e nascidos de Deus".

Sendo Maria modelo de vivência de Igreja é de fundamental importância que nossas orações dedicadas a Virgem Maria exprimam, de maneira clara, sua característica trinitária e cristológica que lhes é intrínseca e essencial. O culto cristão é por sua natureza culto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Nesta perspectiva, torna-se o culto extensivo, legitimamente, se bem que de maneira substancialmente diversa, em primeiro lugar e de modo único, à Mãe do Senhor, e depois aos Santos, nos quais a Igreja proclama o Mistério Pascal, por isso mesmo que eles sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados.

A espiritualidade Mariana vivida em nossas comunidades deve levar em conta o que nos pede a norma da Constituição Sacrosanctum Concilium, a qual, ao mesmo tempo que recomenda os exercícios de piedade do povo cristão, acrescenta: "...Importa, porém, ordenar essas práticas de piedade tendo em conta os tempos litúrgicos, de maneira que se harmonizem com a sagrada Liturgia, de certo modo derivem dela, e a ela, que por sua natureza lhes é muito superior, conduzam o povo cristão" (SC 13). Portanto A Igreja católica, apoiada em sua caminhada de dois milênios, reconhece na devoção a Virgem Santíssima um caminho seguro, um auxílio poderoso para todo homem e toda mulher em marcha para a conquista da sua própria plenitude. Maria, a Mulher nova, está ao lado de Cristo" o Homem novo, em cujo mistério, somente, encontra verdadeira luz o mistério do homem. Esta é a nossa garantia que em uma simples criatura, Maria tornou realidade o plano de Deus em Cristo, para a salvação de todo o homem.

Nossa comunidade que vivencia a espiritualidade vicentina, tem a graça de ter recebido em sua família a visita da mãe de Deus. Na tarde de um sábado, dia 27 de novembro de 1830, véspera do 1º Domingo do Advento, em Paris, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a noviça Irmã Catarina Labouré, teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos de suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções. Num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.

“A Virgem Santíssima — disse Irmã Catarina — baixou para mim os olhos e me disse no íntimo do meu coração: "Este globo que vês representa o mundo inteiro (...) e cada pessoa em particular... Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que mais pedem." Desapareceu, então, o globo que tinha nas mãos e, como se estas já não pudessem com o peso das graças, inclinaram-se para a terra em atitude amorosa. Formou-se em volta da Santíssima Virgem uma figura, no qual em letras de ouro se liam estas palavras que cercavam a mesma Senhora: "Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECOREMOS A VÓS.”

Ouvi, então, uma voz que me dizia: "Faça cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem ao pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem com confiança". Então a figura se virou, e no verso apareceu a letra "M", monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo do "M", os dois Corações, de Jesus e de Maria; o de Jesus, com uma coroa de espinhos e o de Maria atravessado por uma espada; contornava o quadro uma coroa de doze estrelas.”

Irmã Catarina disse ainda que a Santíssima Virgem calcava aos pés uma serpente, alusão clara à palavra de Deus a Eva, depois do pecado: "Porei inimizade entre ti e a Mulher, entre tua descendência e a dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3,15). A mesma visão se repetiu várias vezes, sobre o sacrário do altar-mor; ali aparecia Nossa Senhora, sempre com as mãos cheias de graças, estendidas para a terra, e a invocação já referida a envolvê-la.

O Arcebispo de Paris, Dom Quélen, autorizou a cunhagem da medalha e instaurou um inquérito oficial sobre a origem e os efeitos da medalha, a que a piedade do povo deu o nome de "Medalha Milagrosa", ou "Medalha de Nossa Senhora das Graças".

A Medalha Milagrosa não é um objeto mágico, um amuleto. É um sinal religioso, um rico presente de Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Foi Maria mesma, quem manifestou sua Medalha a Santa Catarina Labouré. "A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, os admiráveis benefícios e graças singulares obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha".

A vivência de nossa espiritualidade Marial vicentina da-se em cada novena realizada em nossa comunidade ou mesmo em nossa pequena comunidade familiares. Através de Maria chegamos ao Cristo nosso Salvador.

Pe. Ilson Luis Hübner CM
Mestre em Teologia Sistemática
Reitor do Seminário Vicentino Nossa Senhora das Graças

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A TERCEIRA INTELIGÊNCIA

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL (QS):

No início do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a "descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções." A ciência começa o novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.

Dra. Dana Zohar - Oxford

No livro QS - Inteligência Espiritual, lançado no ano passado, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas.

O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana:

__ A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual.*

Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em física pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para o português.

QS - Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho.

Ela falou à revista EXAME em Porto Alegre durante o 300º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo. Eis os principais
trechos da entrevista:

O que é inteligência espiritual?

É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.

De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira inteligência?

Os cientistas descobriram que temos um "Ponto de Deus" no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experiência espiritual.

Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual.

Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional.

Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.

Qual a diferença entre QE e QS?

É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação.

Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afetam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.

Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo;

2. São levadas por valores. São idealistas!

3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade;

4. São holísticas!

5. Celebram a diversidade;

6. Têm independência;

7. Perguntam sempre "por quê?”;

8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo;

9. Têm espontaneidade;

10. Têm compaixão.

sábado, 24 de julho de 2010

FICAR DE PÉ!

Esta é uma História Verdadeira que aconteceu há alguns anos, na Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

Havia um Professor de Filosofia que era um ateu convicto.

Sempre sua meta principal era tomar um semestre inteiro para provar que DEUS não existe.

Os estudantes sempre tinham medo de argüi-lo por causa da sua lógica impecável.
Por 20 anos ensinou e mostrou que jamais haveria alguém que ousasse contrariá-lo, embora, às vezes surgisse alguém que o tentasse, nunca o venciam.

No final de todo semestre, no último dia, fazia a mesma pergunta à sua classe de 300 alunos:

__ Se há alguém aqui que ainda acredita em Jesus, que fique de pé!
Em 20 anos ninguém ousou levantar-se.

Sabiam o que o professor faria em seguida.
Diria: __ Porque qualquer um que acredita em Deus é um tolo! Se Deus existe impediria que este giz caísse ao chão e se quebrasse.

Esta simples questão provaria que Ele existe, mas, não pode fazer isso!
E todos os anos soltava o giz, que caia ao chão partindo-se em pedaços.
E todos os estudantes apenas ficavam quietos, vendo a DEMONSTRAÇÃO.
A maioria dos alunos pensavam que Deus poderia não existir. Certamente, havia alguns cristãos mas, todos tiveram muito medo de ficar de pé.

Bem.... Há alguns anos chegou a vez de um jovem cristão que tinha ouvido sobre a fama daquele professor. O jovem estava com medo, mas, por 3 meses daquele semestre orou todas as manhãs, pedindo que tivesse coragem de se levantar, não importando o que o professor dissesse ou o que a classe pensasse. Nada do que dissessem abalaria sua fé... Ao menos era seu desejo!

Finalmente o dia chegou. O professor disse:

__ Se há alguém aqui que ainda acredita em Jesus, que fique de pé!

O professor e os 300 alunos viram, atônitos, o rapaz levantar-se no fundo da sala.
O professor gritou:

__ Você é um TOLO!!! Se Deus existe impedirá que este giz caia ao chão e se quebre!
E começou a erguer o braço, quando o giz escorregou entre seus dedos, deslizou pela camisa, por uma das pernas da calça, correu sobre o sapato e ao tocar no chão simplesmente rolou, sem se quebrar.

O queixo do professor caiu enquanto seu olhar, assustado, seguia o giz.
Quando o giz parou de rolar levantou a cabeça... encarou o jovem e... saiu apressadamente da sala.

O rapaz caminhou firmemente para a frente de seus colegas e, por meia hora, compartilhou sua fé em Jesus. Os 300 estudantes ouviram, silenciosamente, sobre o amor de Deus por todos e sobre seu poder através de Jesus.

Muitas vezes passamos por situações em que acreditamos que "nosso giz" vai quebrar, mas Deus, com sua infinita sabedoria e poder faz o contrário, por isso, nunca se esqueça desta Mensagem/História e, passe a seus amigos, cristãos e não cristãos, dando-lhes a coragem de que precisamos para todos os dias ao nos levantarmos!

__ VOCÊ FICARIA DE PÉ?

__ EU ESTOU DE PÉ!

__ ALGUÉM ME ACOMPANHA?


domingo, 18 de abril de 2010

Educar para a Vida e não somente para o Sucesso!

É crescente entre profissionais das mais variadas áreas, em ambientes de trabalho, livros e revistas a preocupação com temas relacionados à ecologia, sustentabilidade, qualidade de vida, busca de valores, cultivo da interioridade e da experiência com Deus. O anseio pela espiritualidade surge no momento em que as organizações buscam um modelo de gestão que articule bons resultados com qualidade de vida. As pessoas não podem ser reduzidas a peças na cadeia de produção.
Na obra “Gestão e Espiritualidade”, Afonso Murad chama a atenção para a importância que a espiritualidade tem no planejamento estratégico. Segundo Murad, a espiritualidade unificadora e encarnada ajuda as pessoas e as organizações a estabelecerem pontes entre a fé e a realidade humana, inclusive na gestão. Jesus diz que seus seguidores são “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13), a fé encarnada confere sabor, qualidade e cor à existência. Não retira o ser humano de suas tarefas temporais, e sim possibilita realizá-las com motivação mais profunda.
Se pararmos para uma reflexão, iremos perceber que a espiritualidade reflete sim nos resultados organizacionais e melhora consideravelmente a qualidade de vida no trabalho. Com esta atitude, seremos despertados ou provocados para uma nova aprendizagem, o de “saborear o caminho percorrido”.
É interessante a experiência que Afonso Murad narra em seu livro: Há alguns anos, durante uma assembléia de diretorias de uma rede de escolas, o coordenador realizou uma dinâmica simples e significativa. Ao final da tarde, convocou todo o grupo a fazer uma caminhada até um monte sobre o qual podia ter uma bela visão panorâmica. Durante o caminho por duas vezes chamou a atenção do grupo para a beleza dos diferentes tons de verde das árvores e arbustos. Aguçou-lhes a sensibilidade para sentirem o frescor do vento. Mas alguns afoitos lançaram-se ansiosamente pelo caminho, sem nada perceber. Queriam chegar logo lá em cima.
Esta experiência, não é um fato isolado, isso acontece constantemente em nossas vidas. Se não tivermos ancorados pela vivência da espiritualidade, corremos o risco de não entender a graça e a beleza de realizar nossos objetivos. Diante dos desafios de atingir nossas metas, somos levados a um inevitável desgaste físico e emocional que muitas vezes nos impede de ver as coisas boas que vão acontecendo nas diversas etapas do caminho, como por exemplo, o nosso crescimento e o desenvolvimento profissional, a sinergia que acontece no trabalho em equipe e tantas outras pequenas vitórias que vamos conquistando.
Portanto, quando focamos apenas o resultado final não sentimos a verdadeira alegria que o trabalho bem feito proporciona. E a espiritualidade desperta-nos para um novo horizonte, porque ela é “a seiva da árvore da existência”; é um poder que transcende o nosso entendimento, porque vem de Deus, direcionando-nos a princípios éticos através da sabedoria que é encontrada nas leituras, nas reflexões e nos estudos sobre as virtudes morais. Os provérbios, as crônicas, orações, salmos e parábolas são inesgotáveis fontes de saber e de equilíbrio emocional. E quando permitimos o agir de Deus em nossas vidas, encontramos um sentido maior para tudo o que realizamos. Identificamos o momento de silenciar e de retirar-se quando a situação exige e adquirimos hábitos saudáveis que ajudam-nos a vencer a resistência a mudanças, manter a disciplina, partilhar valores e principalmente a “cultivar um olhar de encantamento pela vida”.


(Este é um texto interessante para mim, ele foi publicado no Jornal O Paraná - Palavra do Pe. Luiz Carlos Franzener e postado por ele mesmo na quinta-feira do dia 31 de janeiro de 2008, às 10:33 no http://padreluizfranzener.blogspot.com/ com zero comentários até esta data. Aguardamos que o Padre Luiz Carlos Franzener alimente o seu blog, poste outros Títulos de Espiritualidade, ...! Este por exemplo, é super atual e me levou(a) à Reflexão que decidi colocá-lo aqui! __ Obrigado Pe. Luiz e receba um forte abraço e as Bênçãos Divinas no Exercício do seu Sacerdócio).