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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ESTATUTO DE NATAL

Autoria: Não Localizada

Fica decretado que

Art. I:

Que a estrela, que guiou os Reis Magos para o caminho de Belém, guie-nos também nos caminhos difíceis da vida.

Art. II:

Que o Natal não seja somente um dia, mas 365 dias.

Art. III:

Que o Natal seja um nascer de esperança, de fé e de fraternidade.

Parágrafo único:

Fica decretado que o Natal não é comercial e, sim, espiritual.

Art. IV:

Que os homens, ao falarem em crise, lembrem-se de uma manjedoura e uma estrela que, como bússola, apontem para o Norte da Salvação.

Art. V:

Que, no Natal, os homens façam como as crianças: dêem-se as mãos e tentem promover a paz.

Art. VI:

Que haja menos desânimos, desconfianças, desamores, tristezas. E mais confiança no Menino Jesus.

Parágrafo único:

Fica decretado que o nascimento de Deus Menino é para todos: pobres e ricos, negros e brancos.

Art. VII:

Que os homens não sigam a corrida consumista de “ter”, mas voltem-se para o “ser”, louvando o seu Criador.

Art. VIII:

Que os canhões silenciem, que as bombas fiquem eternamente guardadas nos arsenais, que se ouça os anjos cantarem Glória a Deus no mais alto dos céus.

Parágrafo único:

Fica decretado que o Menino de Belém deve ser reconhecido por todos os homens como Filho de Deus; irmão de todos!

Art. IX:

Que o Natal não seja somente um momento de festas, presentes.

Art. X:

Que o Natal dê a todos um coração puro, livre, alegre, cheio de fé e de amor.

Art. XI:

Que o Natal seja um corte no egoísmo. Que os homens de boa vontade comecem a compartilhar, cada um no seu nível, em seu lugar, os bens e conquistas da civilização e cultura da humildade.

Art. XII:

Que a manjedoura seja a convergência de todas as coordenadas das idéias, das invenções, das ações e esperanças dos homens, para a concretização da paz universal.

Parágrafo único:

Fica decretado que todos devem poder dizer, ao se darem as mãos:

FELIZ NATAL!!!


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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Fanatismos e suas Conseqüências

Diante da realidade, vejo que não existe só fanático religioso ou de futebol. São muitos e mais graves os fanatismos que nos rodeiam, fazendo de nós objetos de joguetes nas mãos de alheios, escravos das máquinas. O nosso ser gente, pessoa, com coração e sentimentos humanos para humanizar as relações, é substituído pela frieza da técnica cada vez mais ágil e cheia de surpresas.

A civilização da máquina, dos computadores traz um ingrediente tremendamente perigoso, chamado fanatismo. Os relacionamentos entre pessoas acabam acontecendo online. O Orkut, MSN, Twitter, blogs etc. vem substituindo o contato humano de coração a coração.

O fanatismo tecnológico acaba com a vida de pessoas que necessitam de afeto, carinho, calor humano. Caminhamos para uma desumanização cada vez maior. O ser humano cercado de botões e automatismos perde o sentido profundo de ser gente; isso tem sabor de morte.

Outro fanatismo, não menos pior, é o fanatismo político. As comunidades marcadamente cristãs são levadas a viver, não só durante o pleito eleitoral, mas depois e por muito tempo, as chagas da divisão, do ódio, da inimizade.

A luta por partidos, a defesa ferrenha de candidatos, por puro fanatismo, como se fosse a única verdade, o único candidato verdadeiro e justo na face da terra, cria e continua criando verdadeiro clima de guerra.

Pessoas amigas, parentes e vizinhos já não se conhecem mais depois das eleições. Essa é a conseqüência mais forte e lamentável que fica na sociedade e na Igreja. Por mais cristão que seja, por mais abertura que se tenha, por mais liberdade que se promova, sempre fica a marca diabólica do fanatismo político sem razão e muito menos coração.

Não de hoje e nem de amanhã, assistimos verdadeiras guerras promovidas pelo fanatismo religioso. Como entender que pelo fato de eu crer de modo diferente, de cultivar um sentido religioso que foge às convicções de outros, ou até do que é mais sagrado para mim, eu tenha que ser exorcizado da face da terra?

Como entender hoje que, em nome de Deus, se deve matar ou morrer? No meu pobre entender, não tem outra explicação do que o fanatismo criado pela visão obtusa da verdade para mim. Com que direito, em base a que verdade se justifica a exclusão, o preconceito, o julgamento de quem se salva ou não, e até o direito de matar ou morrer só porque me fechei em uma única e pura verdade para mim?

Certamente não existem parâmetros para justificar na nossa cultura, que alguém seja tomado pelo poder do fanatismo religioso, e comece a estabelecer aqui na terra o julgamento dos homens e do mundo. Só tem um único e eterno Juiz. Aliás, Ele é a Justiça.

Diante deste quadro que poderia continuar a ladainha dos fanatismos, quero aqui recordar que fomos criados homens e mulheres à imagem e semelhança de Deus, para sermos livres, a fim de viver a vida na sua dimensão mais humana possível.

Podemos estabelecer critérios, normas, estilos de vida, jeitos de viver sem ignorar tudo o que existe de mais moderno e técnico.

Porém, o resgate cada vez mais urgente do valor da pessoa, do humanismo cristão, que tem sua raiz no amor humano, no afeto, no carinho, no sentir o outro como gente, fará com que, na força do amor gratuito e generoso, que vem daquele que é o Amor, se viva a verdadeira vida.

Assim teremos um mundo onde a cultura da vida triunfará sobre a cultura da morte. Sem fanatismos, com a mente e o coração abertos, podemos começar a amar de verdade.

*Dom Anuar Battisti é arcebispo de Maringá

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